

Tirar a carteira de motorista no Brasil antes era um processo marcado por burocracia e custos elevados. Agora, o Governo Federal aposta em tecnologia para mudar esse cenário.
O Ministério dos Transportes lança, no dia 27 de abril de 2026, a funcionalidade Nova Jornada do Instrutor no aplicativo CNH do Brasil. O evento ocorre às 10h e marca a estreia de um ambiente digital nacional para o setor.
Pela primeira vez, candidatos à habilitação, instrutores autônomos e centros de formação de condutores (CFCs) se conectam em uma única plataforma. A ferramenta foi desenvolvida pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e é totalmente gratuita.
Por meio dela, o candidato pode buscar instrutores e autoescolas por localização, entrar em contato direto com os profissionais, inclusive via WhatsApp, e consultar avaliações deixadas por outros alunos.
Além disso, cada instrutor terá um perfil próprio no aplicativo.
Os dados das aulas são registrados de forma automática no Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach), com envio em tempo real aos Detrans estaduais.
Esse mecanismo reduz a necessidade de intervenção manual e dá mais transparência ao setor. O objetivo declarado do Governo Federal é reduzir a burocracia e ampliar o acesso à habilitação em todo o país.
Para atuar, o instrutor precisa cumprir uma série de requisitos tanto para o veículo quanto para a documentação pessoal. Os veículos de ensino têm limites de idade de fabricação:
Além do limite de idade, o veículo precisa ter identificação visível da atividade de instrução.
Para credenciar o carro, o instrutor deve instalar freio e embreagem com pedal de duplo comando, fazer vistoria e converter a classificação do veículo de "particular" para "aprendizagem" no CRLV.
O procedimento é semelhante ao já exigido dos CFCs. Durante o serviço, os documentos obrigatórios a portar são:
Cada aula deve ser registrada e validada eletronicamente pelo próprio profissional. Ademais, a atuação está sujeita à fiscalização dos órgãos de trânsito a qualquer momento.
No Rio Grande do Sul, a atuação de instrutores autônomos está liberada desde 10 de março de 2026.
Contudo, a implementação enfrentou dificuldades desde o início. Instrutores relataram que o sistema apresentou falhas graves nos primeiros dias de operação.
Edison Luis Fontanelli, instrutor com 35 anos de experiência no setor, descreveu os problemas com precisão: "Estamos dando aulas práticas e não conseguimos lançar no sistema."
As aulas eram filmadas e a biometria do aluno era coletada, mas o registro eletrônico oficial não era gerado pelo sistema. Além disso, ao tentar marcar uma aula com o próprio veículo, o aplicativo ainda exigia um período de espera para liberação.
"Está demorando bastante", disse Fontanelli.
As regras vigentes exigem que cada aula seja registrada em dois sistemas distintos: o nacional, da Senatran, e o do DetranRS. O processo inclui biometria facial do aluno e do instrutor no início e no fim de cada aula.
Além disso, é obrigatório o registro do veículo, do horário e a gravação integral em áudio e vídeo por meio de aplicativo oficial. As imagens ficam armazenadas por cinco anos para fins de fiscalização.
Segundo Fontanelli, o problema central está na falta de integração entre as plataformas. O aplicativo CNH do Brasil ainda não se comunica plenamente com o sistema do Detran-RS.
"O Detran pediu 180 dias para adequação. A partir de 10 de março houve a liberação, mas a integração continua incompleta", explicou o instrutor.
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