

O Governo do Pará, por meio da gestão do Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, promove durante o mês de agosto uma série de atividades educativas sobre aleitamento materno. A iniciativa integra a campanha Agosto Dourado e tem como objetivo esclarecer mitos e reforçar os benefícios da amamentação exclusiva até os seis meses de vida, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
As ações incluem palestras, rodas de conversa e treinamentos com mães internadas e colaboradoras gestantes, conduzidos por equipes multiprofissionais da unidade. A programação busca desmistificar informações equivocadas e ampliar o conhecimento sobre o leite materno como alimento essencial nos primeiros meses de vida da criança.
Informação e acolhimento desde o pré-natal
A amamentação exclusiva foi um tema que despertou o interesse da jovem Deely Kelly ainda na adolescência, embora cercado por dúvidas. Hoje, mãe do pequeno Ravi, prematuro e internado na UTI Neonatal do HRPT, ela vivencia na prática os cuidados e orientações oferecidos pela equipe do hospital.
“Antes da gestação, ouvia dizer que o leite não sustentava o bebê. Aqui no Hospital Regional me explicaram que ele é essencial para o crescimento e o desenvolvimento, ainda mais no caso de prematuros. Aprendi também sobre a pega correta, a ordenha manual, massagem e até como colocar para arrotar”, relatou.
Profissionais esclarecem mitos comuns sobre a amamentação
Entre os temas abordados durante as ações do Agosto Dourado estão os mitos que cercam o aleitamento. A nutricionista Aline Menezes, especialista em nutrição infantil, listou os cinco principais equívocos:
“Leite fraco não sustenta o bebê” –Mito. “Não existe leite fraco. O leite materno supre todas as necessidades do bebê até os seis meses”, afirma Aline.
“Amamentar faz os seios caírem” –Mito. Segundo a nutricionista, fatores como idade, genética e número de gestações podem interferir, mas a amamentação em si não provoca flacidez.
“Pode beber álcool amamentando” –Mito.“Nem uma dose é segura. O álcool passa para o bebê pelo leite”, alerta.
“Leite em pó substitui o materno” –Mito. “Nenhuma fórmula industrializada é equivalente ao leite materno”, reforça Aline.
“Introdução alimentar precoce é benéfica” –Mito. A introdução de outros alimentos deve começar somente após os seis meses, sempre com orientação profissional.
As três fases do leite materno
A nutricionista Erica Lopes, da UTI Pediátrica do HRPT, explicou que o leite materno passa por três fases, cada uma com funções específicas para a saúde do bebê:
Colostro– Produzido nos primeiros dias, é rico em anticorpos e conhecido como “primeira vacina”.
Leite de Transição– Surge com maior teor de gordura, contribuindo para o ganho de peso adequado.
Leite Maduro– Presente a partir do décimo dia, oferece todos os nutrientes necessários até os seis meses, sem necessidade de complementos.
Acesso à informação confiável
Diante da quantidade de desinformações, os profissionais de saúde destacam a importância de buscar orientação em fontes oficiais. “A questão cultural influencia muito. Por isso, é nossa missão conscientizar e incentivar essas mães com base científica”, explicou Erica Lopes.
Texto: Rômulo D'Castro
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