

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode passar a oferecer ainda neste ano uma nova opção de prevenção ao HIV. Isso porque o Ministério da Saúde deve encaminhar à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido para incluir o cabotegravir, medicamento injetável de ação prolongada utilizado na profilaxia pré-exposição (PrEP).
Segundo a comunidade médica, a medicação atua impedindo a multiplicação do vírus e pode ser aplicada a cada dois meses, sendo uma alternativa ao modelo atual da PrEP oral, disponível no SUS, que exige o uso diário de comprimidos.
A proposta ainda precisa passar pela análise da Conitec, que deve avaliar critérios como eficácia, segurança e custo-benefício de novas tecnologias antes da incorporação ao sistema público. Já a decisão final sobre a inclusão cabe ao Ministério da Saúde.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, atualmente o governo negocia com a farmacêutica GSK, fabricante do cabotegravir, os valores e a quantidade de doses que serão adquiridas. A expectativa é de que a negociação permita a oferta do medicamento com um custo considerado viável para o SUS.
A possível chegada da PrEP injetável ocorre em um cenário de desafios no enfrentamento ao HIV no Brasil. Segundo dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde e UNAIDS divulgados em dezembro de 2025, cerca de 1,7 milhão de pessoas vivem atualmente com o vírus no país.
Ainda de acordo com o documento, apesar dos avanços no tratamento e nas estratégias de prevenção, o Brasil registrou um aumento de 21,9% nas novas infecções por HIV na última década, contrariando a tendência global de redução dos casos.
Segundo a comunidade médica brasileira, a principal vantagem do cabotegravir em relação à versão oral utilizada atualmente é a maior facilidade de adesão ao tratamento. Estudos realizados no país indicam que a maioria dos participantes demonstram preferência pela aplicação injetável, justamente por não depender do uso diário dos comprimidos.
Uma pesquisa da Fiocruz com cerca de 1,4 mil pessoas em seis cidades brasileiras mostrou que 83% dos participantes preferiram a injeção. O estudo também apontou que 94% compareceram aos serviços de saúde no período correto para receber as doses, mantendo a proteção durante o acompanhamento.
Atualmente, a PrEP oral é oferecida pelo SUS e já beneficiou mais de 350 mil pessoas. Agora, a expectativa do Ministério da Saúde é que a versão injetável amplie o acesso à prevenção e alcance principalmente grupos que enfrentam dificuldades para manter o uso diário da medicação.
SAÚDE Saiba como limpar os rins naturalmente com truques eficazes
SAÚDE E BEM-ESTAR Dormir muitas horas pode aumentar risco de demência, diz estudo
COMBATE AO CÂNCER Estudo aponta que Viagra pode enfraquecer metástases no corpo Mín. 21° Máx. 36°





