

Que o chá é uma bebida apreciada no mundo todo não há dúvidas e para adoçar, o mel costuma ser uma das alternativas, por ser frequentemente visto como uma opção mais natural do que o açúcar refinado. No entanto, para quem convive com diabetes, o consumo exige atenção.
Segundo a nutricionista Daniela Gomes, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o mel é composto principalmente por açúcares simples, como glicose e frutose. Por isso, seu consumo pode provocar o aumento da glicemia, ou seja, da concentração de açúcar no sangue, e deve ser feito com orientação e moderação.
“Pessoas com diabetes podem consumir mel, mas a quantidade adequada deve ser individualizada, considerando fatores como o tipo de diabetes, o controle glicêmico, o uso de medicamentos ou insulina, o padrão alimentar e o nível de atividade física. Atualmente, não existe uma recomendação universal que defina uma quantidade diária específica de mel considerada segura para todas as pessoas com diabetes”, diz.
A especialista ressalta que o mel deve ser considerado uma fonte de carboidratos, assim como outros alimentos que contêm açúcar, e, por isso, precisa ser incluído no planejamento alimentar de quem tem diabetes. Quando o consumo for autorizado, a recomendação é optar por pequenas porções, sempre dentro de uma dieta equilibrada e, de preferência, acompanhando a resposta do organismo por meio do monitoramento da glicemia, seja com o glicosímetro ou com sensores de glicose.
Além de adoçar naturalmente os alimentos, o mel possui propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras, que podem contribuir para aliviar sintomas como tosse e dor de garganta, seja em casos de gripes e resfriados ou de irritação nas vias respiratórias. Esses efeitos também estão associados ao fortalecimento do sistema imunológico.
Apesar dos benefícios, pessoas com diabetes devem adotar alguns cuidados antes de incluir o alimento na rotina. A recomendação é evitar o consumo repetido ao longo do dia e não ingerir o mel sozinho, principalmente em jejum, já que isso pode provocar uma elevação mais rápida dos níveis de glicose no sangue. O ideal é que sua ingestão faça parte de uma estratégia alimentar planejada e orientada por um profissional de saúde.
“Uma abordagem mais favorável é associar o mel a alimentos ricos em proteínas, fibras ou gorduras saudáveis, como iogurte natural, oleaginosas ou frutas consumidas como parte de uma refeição. Essa combinação pode retardar a absorção dos açúcares e reduzir a velocidade com que o açúcar no sangue sobe”, orienta Daniela.
De acordo com Daniela, a forma de incluir o mel na alimentação varia conforme o tipo de diabetes.
Para pessoas com pré-diabetes, quadro em que os níveis de glicose já estão acima do considerado normal, mas ainda não configuram diabetes, a recomendação é consumir mel com moderação. O objetivo é evitar picos frequentes de glicemia e diminuir o risco de evolução para a doença.
Já no caso do diabetes tipo 1, o alimento pode fazer parte da dieta, desde que seu teor de carboidratos seja contabilizado corretamente no planejamento alimentar. Nesses casos, o consumo deve estar alinhado ao ajuste da dose de insulina, sempre com orientação da equipe de saúde.
“Já no diabetes tipo 2, o impacto tende a depender de fatores como o grau de resistência à insulina, o controle glicêmico, o excesso de peso e o tratamento utilizado”, explica.
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