

O governo da Venezuela anunciou a adoção de um protocolo especial para o manejo e a identificação das vítimas fatais dos terremotos que atingiram o país em 24 de junho. A medida busca garantir um tratamento digno aos mortos, evitar a exposição pública dos corpos e assegurar a identificação antes da liberação às famílias.
Segundo o balanço oficial mais recente, o desastre deixou quase 3 mil mortos e provocou destruição em diversas áreas urbanas próximas à capital, Caracas.
Durante entrevista coletiva, a presidente interina, Delcy Rodríguez, informou que foi ativado um necrotério especializado no estado de La Guaira para concentrar os procedimentos de medicina legal.
A estrutura é coordenada pelo Serviço Nacional de Medicina e Ciências Forenses (Senamec), em conjunto com o Ministério do Poder Popular para Relações Internas, Justiça e Paz, a Procuradoria-Geral da República e o Registro Civil.
Segundo a mandatária, os procedimentos seguem a legislação venezuelana e não haverá sepultamentos coletivos sem que as vítimas sejam previamente identificadas. "Ninguém será enterrado em uma vala comum", afirmou Delcy Rodríguez.
O protocolo prevê a criação de um dossiê individual para cada corpo resgatado dos escombros.
O processo de identificação será realizado em duas etapas. A primeira consiste na coleta e conferência das impressões digitais. Nos casos em que esse método não for suficiente, especialistas recorrerão à odontologia forense para confirmar a identidade das vítimas.
Equipes de médicos legistas permanecem mobilizadas para agilizar o reconhecimento dos corpos e a liberação às famílias.
Delcy Rodríguez afirmou que o governo divulgará apenas números oficialmente confirmados e criticou estimativas preliminares divulgadas por modelos automáticos, que apontavam um número significativamente maior de vítimas.
De acordo com a presidente interina, houve casos de pessoas inicialmente consideradas mortas que posteriormente foram localizadas com vida após o cruzamento de dados biométricos.
Além das ações de medicina legal, o governo informou que mantém acampamentos de assistência com alimentação, atendimento médico, abrigo e apoio psicológico às famílias afetadas. Também foram iniciadas negociações com o setor privado, instituições financeiras e parceiros internacionais para ampliar a oferta de moradias permanentes às pessoas que perderam suas casas.
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